Jogamos! Horizon: Zero Dawn

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Aloy nos conduz em uma aventura ao mesmo tempo pós-moderna e pré-histórica.

Quando Horizon foi apresentado lá na E3 de 2015 eu não dei muita bola, e acredito que não tenha sido o único. "Dos criadores de Killzone? Bah, nunca gostei muito desse jogo mesmo", "Dinossauros robôs, que coisa mais brega", "Isso é meio genérico, não vai funcionar". Agora, com o jogo já lançado, posso dizer com convicção: que bom que eu estava – muito – enganado.

Hoje, depois de terminar o jogo eu sempre me pergunto como algo com elementos praticamente copiados de The Witcher 3, Assassins Creed, Uncharted (e talvez até um pouco de Metal Gear Solid) poderia soar tão original e ser tão gostoso de se jogar.


Pois é, Horizon consegue essa proeza de assimilar mecanismos de outros jogos e ainda assim se manter original com uma facilidade surpreendente. Temos o slowmotion tão comum ao se mirar com o arco, o rastro virtual de acontecimentos passados, saltos de lugares altos com belos mergulhos, e por aí vai. Como se não bastassem os méritos quanto às suas mecânicas e jogabilidade, ele ainda presenteia o jogador com boas atuações nos diálogos que permeiam sua história rica e interessante. A atriz que deu voz a Aloy, à propósito, é a mesma que interpretou a protagonista em Life is Strange, Ashly Burch.

Eu já falei dos gráficos? Ah os gráficos. É bem piegas ficar elogiando este quesito em tempos tão bem servidos de belos jogos, com engines super poderosas acessíveis até mesmo para desenvolvedores indie, mas Horizon apresenta um passo a mais, sendo com certeza um dos jogos com mais belos gráficos do mercado quando do seu lançamento (2017). O destaque vai para os olhos dos personagens, detalhe muitas vezes que passa despercebido, mas que em Horizon se mostram vívidos, brilhantes e expressivos, evitando a já conhecida "estranheza" que se têm quando vemos personagens animados. Os cenários são amplos e não possuem o efeito "olho-de-peixe",  em que a visão panorâmica se apresenta arredondada principalmente nas bordas, e esta escolha, apesar de pessoal, me agrada muito mais do que como é feito em The Witcher, por exemplo.

Dentre os aspectos nos quais Horizon brilha, um dos pontos que mais chamam atenção é o modo como ele mesclou um jogo "de época", ambientado em uma espécie de pré-história com conceitos tecnológicos sem soar brega ou forçado demais. Este é um feito notável, já que temos muitos exemplos de jogos que tentaram o mesmo e caíram em um clichê sem graça. Além disso, ainda há uma linha constante de mistério que permeia o enredo, servindo para sempre empurrar o jogador para a próxima missão.

Créditos da imagem: TheClassica/Deviantart
Em jogos de mundo aberto, é muito natural que o jogador se sinta atraído apenas pelas missões principais, afinal de contas, são elas que movem o jogo para frente e, não raramente, costumam ser as únicas que contém algum esmero na sua produção. Quantos jogos deste tipo não fizeram você rodar o mapa de um lado pro outro como um menino de recados, para acrescentarem absolutamente nada na construção do personagem ou da história como um todo?

Obviamente as missões secundárias não se comparam às principais, todavia, também não fazem feio. Sempre há uma coisinha ou outra, um detalhe no cenário, uma anotação ou gravação esquecida em uma das ruínas tecnológicas que salpicam o mapa; sempre algo que ajuda nossa cabeça de jogador a traçar uma personalidade para Aloy, a personagem principal, ou para fazer um trabalho de investigador, prestando atenção nas conversas aparentemente triviais, mas que contam a história através de pontos de vista daqueles que fizeram parte do projeto. Mas aqui já entramos em uma área que pode ser entendida como spoilers, e falar diretamente sobre este aspecto arruinaria a experiência daqueles que ainda não jogaram Horizon: Zero Dawn.