Dandara

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Mais um notável trabalho brasileiro na cena independente.



Dandara é um jogo meio difícil de descrever em palavras. Ele é uma espécie de metroidvania, ou seja, a exploração é lateral, em 2D, e passa por cenários com plataformas, enigmas e inimigos. Você deve conseguir habilidades ou itens para abrir portas fechadas com as quais se deparou lá atrás para, assim, prosseguir na jornada. Nada demais, certo? Mas Dandara se destaca mesmo em outro ponto.



A sua mecânica de se deslocar pelo mapa não usa do tradicional jogging ou caminhada acelerada, tão comum em jogos deste tipo. Aqui a protagonista se locomove apenas com saltos, ou melhor, com dashs ou deslocamentos rápidos, sempre nas diagonais ou diretamente para cima, nunca diretamente para trás ou para frente. Cada deslocamento, todavia, deve ser feito em uma linha reta em direção a outra superfície. Ela pula para o teto, gruda nele, e só após outro salto ela volta para o chão, um pouco mais à frente, mas, espere, anda, ela quica.

Confuso, não é? Por isso que é melhor ver sua jogabilidade do que descrevê-la. Essa mecânica inovadora abre diversas possibilidades de exploração e combate, tornando Dandara algo único. Estas escolhas, todavia, não apenas trouxeram benefícios. Ao passo que estabelecer uma limitação tão grande fez emergir soluções criativas, ele também causou um senso de repetição muito grande, pelo menos na minha experiência .

O jogo, feito por desenvolvedores brasileiros, fez uma leitura livre da história de Dandara, que foi uma guerreira negra do período colonial do Brasil. Após ser presa, suicidou-se se jogando de uma pedreira ao abismo em 6 de fevereiro de 1694, e se tornou símbolo da força da mulher negra.

O jogo, por sua vez, é uma interessante experiência tanto em narrativa quanto mecânica, e vale muito ser experimentado.

Nota: 7.5/10